Modernização da cabina do elevador envolve aspectos técnicos e estéticos

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O gerente predial Moisés Constantino de Souza Santos costuma usar uma metáfora muito clara quando o assunto é modernização dos elevadores: “Fazer a reforma num prédio e não trocar a cabina é como fazer a reforma de sua casa e deixar móveis e eletrodomésticos antigos”. É desta forma que o então zelador do Edifício Presidente, empreendimento de uma torre e onze andares localizado no bairro do Jabaquara, zona Sul de São Paulo, lembra-se da época em que a administração local optou pela modernização da cabina do único equipamento do prédio. O revestimento de fórmica saiu e deu lugar ao aço inox e espelho, as antigas botoeiras foram trocadas, assim como o teto e a iluminação, entre outros. Santos, que após realizar vários cursos na área de condomínios assumiu, desde 2008, a função de gerente predial, afirma que a satisfação dos moradores foi nítida.

Na verdade, a modernização dos componentes dos elevadores, como a casa de máquinas, pode até excluir a da cabina, porém, se isso ocorrer, haverá um descompasso, alerta o diretor do Seciesp (Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo), Rogério Meneguello. “É como pegar um carro velho com lataria nada boa e apenas trocar o motor por outro novinho. Por fora continuará ruim. Mas fazendo a funilaria, ficará aquele ar de que foi feito realmente algo de bom”, explica.

 

Modernização da cabina do elevador – algumas dicas

Na maior parte das vezes, a modernização ocorre por uma questão estética, motivada seja pelo desgaste natural, por acidentes (como descuidos em uma mudança) ou mesmo vandalismo (quando alguém usa um metal pontiagudo ou canetas para riscar as paredes). Porém, há casos em que também a modernização técnica da cabina torna-se necessária, desde que acompanhada de alguns cuidados. São eles:

 

1. O primeiro diz respeito ao uso de materiais mais pesados do que o original, o que exigirá ajustes.

“Cada elevador tem um contrapeso calibrado para o peso da cabina. E quando ocorre a reforma estética, é possível acrescentar mais peso nela do que originalmente havia”, afirma o diretor do Seciesp. Um exemplo é quando as folhas de fórmica dão lugar ao aço inox. “Este pesa mais, daí a necessidade de um novo calibramento, fazendo o balanceamento, que nada mais é do que acrescentar mais peso no contrapeso para haver equilíbrio com a cabina”, explica Meneguello. A falta de ajustes poderá provocar desnivelamento e desgastes de materiais externos, entre eles, do cabo de comando de tração, destaca o diretor.

 

2. O segundo cuidado refere-se a situações de troca da estrutura da cabina.

Basicamente, a cabina de um elevador é formada pela porta, subteto, rodapé e piso. Existem outros acessórios para melhorar as condições de uso, tais como corrimão (acessibilidade) e espelho. A modernização estética permite trocar qualquer um desses itens sem alterar a estrutura básica da cabina. No entanto, há casos em que a troca da estrutura, seja ela a caixa ou as portas, se fazem necessárias. Em geral isso acontece mais com equipamentos antigos, de madeira, infestadas por cupim. Nesta situação, é preciso trocar o madeiramento por chapas de aço carbono revestida em inox, orienta Meneguello.

 

3. Também acontece de as portas das cabinas terem que ser substituídas.

Há casos em que o condomínio decide trocar a abertura manual (com braço mecânico) pelo recolhimento lateral, automático, mais seguro e funcional. Se isso ocorrer, são necessários ajustes mecânicos e elétricos, tais como a troca do contato elétrico de fechamento da porta. Essa mudança acarretará outras, inclusive da localização da botoeira dentro da cabina. Será preciso ainda equipar o elevador com sensores de proteção infravermelhos, que irão interromper a abertura ou o fechamento assim que qualquer pessoa entrar ou sair da cabina.

 

Nos casos mais modernos, as botoeiras dão lugar a painéis eletrônicos digitais dotados de comando de voz que indicam em qual andar o usuário está. “Para mim é o que chama mais a atenção quando se fala em modernizar uma cabina”, afirma o gerente predial Moisés Constantino. Existem ainda situações em que a botoeira – ou o painel eletrônico digital – é retirada de dentro da cabina e instalada no hall. Tal sistema é dotado de um distribuidor de chamadas inteligente, que irá avaliar o tráfego dos elevadores e indicar ao usuário a máquina que está mais próxima do destino.

 

4. Finalmente, um último bloco de intervenções envolve a troca do revestimento do elevador.

Na maior parte das cabinas antigas, o piso é de madeira coberta por material sintético e as superfícies laterais recebem tratamento em fórmica. Respectivamente, os materiais mais empregados para substituí-los são o granito e o aço inoxidável. Existem variantes para o piso, tais como as pedras de mármore, bem como os de revestimento, entre eles o espelho bisotado.

Mas, além desses materiais já tradicionais, outros estão ganhando espaço no revestimento da cabina, como a plotagem que simula o aço inox. O material é semelhante ao que se utiliza em veículos e será aplicado nos elevadores do Mirante do Vale, edifício mais alto do Brasil, localizado no Vale do Anhangabaú, Centro de São Paulo. Com 50 andares distribuídos em 170 metros de altura, o arranha-céu tem 12 elevadores, que passam por um processo de modernização.

De acordo com o seu síndico e advogado Márcio Barros, as intervenções iniciadas há 13 anos já resultaram na troca total de quatro elevadores, que receberam estrutura de aço inox, contrapiso em madeira e granito. Mais recentemente, em 2011, teve início uma nova etapa, nos outros oito elevadores, que consiste em trocar o operador da porta, portas das cabinas e portas dos pavimentos.

Fonte: Revista Direcional Condomínios

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